http://www.youtube.com/watch?v=x0qBkONqVN4
HORA DO CONTO - PAIS E FILHOS
"A família é o espaço privilegiado para se contarem histórias. Cultivar este hábito reforça os laços afectivos entre o adulto e a criança e ajuda-a a crescer de foram saudável."
Este sábado, 19 de Dezembro estarei no Infusão (Crepérie, café e galeria), numa hora do conto bem divertida com pais e filhos em busca de boas memórias, onde juntos poderemos criar e reviver histórias que nos fazem crescer...
Endereço: Rua da trindade Nº 7 Galeria inferior
Chiado/Lisboa
Horário: 11h às 12h
Chiado/Lisboa
Horário: 11h às 12h
Inscrições: arteeconsciencia@hotmail.com
arteeconsciencia@gmail.com
arteeconsciencia@gmail.com
O SAPO E A COBRA
Era uma vez um sapinho que encontrou um bicho comprido, fino, brilhante e colorido deitado no caminho.
_ Alô! Que é que você está fazendo estirada na estrada?
_ Estou me esquentando aqui no sol. Sou uma cobrinha, e você?
_ Um sapo. Vamos Brincar?
E eles brincaram a manhã toda no mato.
_Vou ensinar você a pular.
E eles pularam a tarde toda na estrada.
_ Vou ensinar você a subir na árvore se enroscando e deslizando pelo tronco.
E eles subiram.
Ficaram com fome e foram embora, cada um para sua casa, prometeram se encontrar no dia seguinte.
_ Obrigada por me ensinar a pular.
_Obrigado por me ensinar a subir em árvores.
Em casa o sapinho mostrou à mãe que sabia rastejar.
_ Quem ensinou isso para você?
_A cobra, minha amiga.
_Você não sabe que a família da cobra não é gente boa? Eles têm veneno.
Você está proibido de brincar com cobras. E também de rastejar por ai. Não fica bem.
Em casa, a cobrinha mostrou à mãe que sabia pular.
_ Quem ensinou isso para você?
_ O sapo, meu amigo.
_ Que besteira! Você não sabe que a gente nunca se deu bem com a família sapo? Da próxima vez, agarre o sapo e... bom apetite! E para de pular. Nós cobras não fazemos isso.
No dia seguinte, cada um ficou na sua.
_Acho que não posso rastejar com você hoje.
A cobrinha olhou, lembrou do conselho da mãe e pensou: "Se ele chegar perto, eu pulo e devoro ele."
Mas lembrou-se da alegria da véspera e dos pulos que aprendeu com o sapinho. Suspirou e deslizou para o mato.
Daquele dia em diante, o sapinho e a cobrinha não brincaram mais juntos.
Mas ficaram sempre no sol, pensando no único dia em que foram amigos.
Lenda Africana
UM CHÁ DE HISTÓRIAS - CCB
Quando bebemos chá esquecemos os barulhos do mundo...

Com este trabalho pretendemos revelar os segredos da arte milenar do chá, ao mesmo tempo que cativamos o ouvinte convidando-o a se apaixonar... pelo livro... pelas histórias e pela leitura.
Compartilhando histórias como quem oferece uma chávena de chá a um amigo, o contador guiará o público por uma viagem fantástica por diversos cantos do planeta. Terras longínquas, culturas exóticas, regiões remotas, ligadas eternamente pela singular tradição de tomar chá.

Se um mero encontro para beber chá nos pode transportar até Deus, é bom ficarmos atentos às outras dezenas de oportunidades que um simples dia nos oferece...
De 06 a 12 de Dezembro - Fábrica das Artes no CCB.
Mais informações:
www.ccb.pt
História...
Asad contou a sua história. Era sobre uma rapariga de Marrocos cujo pai era fiandeiro. Prosperou com o negócio e levou-a a viajar com ele pelo Mediterrâneo. Ele queria vender o seu linho e disse à sua filha que também tinha de procurar um jovem que pudesse dar um bom marido.
Mas uma tempestade afundou o navio perto do Egito, matando o pai e atirando com a rapariga para terra. Infeliz e exausta, mal se podendo lembrar da sua vida anterior, a rapariga vagueou pela areia até encontrar uma família de tecelões. Eles levaram-na e ensinaram-lhe a fazer roupa. Com o tempo ela resignou-se.
Mas após alguns anos ela foi capturada à beira mar por mercadores de escravos que viajavam para Leste, para Istambul, e levaram-na para o mercado de escravos. Um homem que fabricava mastros para navios foi ao mercado procurar escravos para o ajudarem no seu trabalho, mas ao ver a rapariga apiedou-se, comprou-a e levou-a para casa para servir a sua mulher. Mas os piratas roubaram a carga em que ele tinha investido o dinheiro e ele não pôde comprar outros escravos. Ele, a mulher e a rapariga tiveram de fazer todos os mastros eles próprios. A rapariga trabalhou muito e bem. O fabricante de mastros achou-a tão capaz que acabou por libertá-la e fê-la sócia no seu negócio, de que ela acabou por gostar.
Um dia ele pediu-lhe para acompanhar um carregamento de mastros até Java. Ela concordou, mas ao largo da China o barco foi atingido por um tufão. Mais uma vez ela foi atirada para uma costa desconhecida, e mais uma vez lamentou seu destino. " Porque é que estas coisas horríveis continuam a acontecer-me?" perguntava ela. Não teve resposta. Levantou-se da areia e começou a caminhar pela terra dentro.
Havia uma lenda na China que dizia que uma mulher estrangeira havia de aparecer e fazer uma tenda para o Imperador. Como ninguém na china sabia fazer tendas, toda a população, incluindo geração após geração de Imperadores, se interrogava a cerca desta lenda. Uma vez por ano o Imperador enviava emissários a todas as cidades para trazerem todas as mulheres estrangeiras à corte Imperial.
Em devido tempo, a esfarrapada mulher compareceu perante o Imperador que lhe perguntou, através de intérprete, se sabia fazer uma tenda.
" Penso que sei", disse ela. Pediu cordas, mas os chineses não tinham nenhuma, e então, lembrando-se da sua infância como filha de um fiador, pediu seda e fez uma corda.
Pediu tecido forte, mas os chineses não tinham nenhum, e então, lembrando-se da sua vida entre os tecelões, ela fabricou o tipo de tecido usado em tendas.
Pediu dez estacas, mas os chineses não tinham nenhuma, e então, lembrando-se da sua vida como fabricante de mastros, ela fez dez estacas.
Quando tinha estas coisas todas prontas, tentou lembrar-se o melhor que podia de todas as tendas que já tinha visto na vida. Por fim construiu a tenda.
O Imperador ficou maravilhado com a construção e com a realização da profecia, e ofereceu-lhe tudo o que ela quisesse.
A rapariga apenas pediu para o Imperador deixar ela ficar. ela casou-se e permaneceu na China e viveu feliz até uma longa idade. E compreendeu que, apesar de as suas desgraças lhe terem parecido terríveis quando aconteceram, acabaram por ser essenciais para a sua felicidade.
Autor desconhecido.
Mas uma tempestade afundou o navio perto do Egito, matando o pai e atirando com a rapariga para terra. Infeliz e exausta, mal se podendo lembrar da sua vida anterior, a rapariga vagueou pela areia até encontrar uma família de tecelões. Eles levaram-na e ensinaram-lhe a fazer roupa. Com o tempo ela resignou-se.
Mas após alguns anos ela foi capturada à beira mar por mercadores de escravos que viajavam para Leste, para Istambul, e levaram-na para o mercado de escravos. Um homem que fabricava mastros para navios foi ao mercado procurar escravos para o ajudarem no seu trabalho, mas ao ver a rapariga apiedou-se, comprou-a e levou-a para casa para servir a sua mulher. Mas os piratas roubaram a carga em que ele tinha investido o dinheiro e ele não pôde comprar outros escravos. Ele, a mulher e a rapariga tiveram de fazer todos os mastros eles próprios. A rapariga trabalhou muito e bem. O fabricante de mastros achou-a tão capaz que acabou por libertá-la e fê-la sócia no seu negócio, de que ela acabou por gostar.
Um dia ele pediu-lhe para acompanhar um carregamento de mastros até Java. Ela concordou, mas ao largo da China o barco foi atingido por um tufão. Mais uma vez ela foi atirada para uma costa desconhecida, e mais uma vez lamentou seu destino. " Porque é que estas coisas horríveis continuam a acontecer-me?" perguntava ela. Não teve resposta. Levantou-se da areia e começou a caminhar pela terra dentro.
Havia uma lenda na China que dizia que uma mulher estrangeira havia de aparecer e fazer uma tenda para o Imperador. Como ninguém na china sabia fazer tendas, toda a população, incluindo geração após geração de Imperadores, se interrogava a cerca desta lenda. Uma vez por ano o Imperador enviava emissários a todas as cidades para trazerem todas as mulheres estrangeiras à corte Imperial.
Em devido tempo, a esfarrapada mulher compareceu perante o Imperador que lhe perguntou, através de intérprete, se sabia fazer uma tenda.
" Penso que sei", disse ela. Pediu cordas, mas os chineses não tinham nenhuma, e então, lembrando-se da sua infância como filha de um fiador, pediu seda e fez uma corda.
Pediu tecido forte, mas os chineses não tinham nenhum, e então, lembrando-se da sua vida entre os tecelões, ela fabricou o tipo de tecido usado em tendas.
Pediu dez estacas, mas os chineses não tinham nenhuma, e então, lembrando-se da sua vida como fabricante de mastros, ela fez dez estacas.
Quando tinha estas coisas todas prontas, tentou lembrar-se o melhor que podia de todas as tendas que já tinha visto na vida. Por fim construiu a tenda.
O Imperador ficou maravilhado com a construção e com a realização da profecia, e ofereceu-lhe tudo o que ela quisesse.
A rapariga apenas pediu para o Imperador deixar ela ficar. ela casou-se e permaneceu na China e viveu feliz até uma longa idade. E compreendeu que, apesar de as suas desgraças lhe terem parecido terríveis quando aconteceram, acabaram por ser essenciais para a sua felicidade.
Autor desconhecido.
O MENINO QUE GANHOU UM RIO.
Era dia de meu aniversário e ela não sabia, o que me presentear.
Fazia tempo que os mascates não passavam naquele lugar esquecido.
Se o mascate passasse a minha mãe compraria rapadura ou bolachinhas para me dar.
Mas como não passara o mascate, minha mãe me deu um rio.
Era o mesmo rio que passava atrás de casa.
Eu estimei o presente mais do que fosse uma rapadura do mascate .
Meu irmão ficou magoado porque ele gostava do rio igual aos outros.
A mãe prometeu que no aniversário do meu irmão ela iria dar uma árvore para ele.
Uma que fosse coberta de pássaros.
Eu bem ouvi a promessa que a mãe fizera ao meu irmão e achei legal.
Os pássaros ficavam durante o dia nas margens do meu rio e de noite eles iriam dormir na árvore do meu irmão.
Me irmão me provocava assim: a minha árvore deu flores lindas em setembro.
E seu rio não dá flores!
Eu respondia que a árvore dele não dava piraputanga.
Era verdade, mas o que nos unia demais eram os banhos nus no rio entre pássaros.
Nesse ponto nossa vida era um afago!
Texto: Manoel de Barros.
Dedicado para minha querida amiga dos contos Carol de Kácia...
Fazia tempo que os mascates não passavam naquele lugar esquecido.
Se o mascate passasse a minha mãe compraria rapadura ou bolachinhas para me dar.
Mas como não passara o mascate, minha mãe me deu um rio.
Era o mesmo rio que passava atrás de casa.
Eu estimei o presente mais do que fosse uma rapadura do mascate .
Meu irmão ficou magoado porque ele gostava do rio igual aos outros.
A mãe prometeu que no aniversário do meu irmão ela iria dar uma árvore para ele.
Uma que fosse coberta de pássaros.
Eu bem ouvi a promessa que a mãe fizera ao meu irmão e achei legal.
Os pássaros ficavam durante o dia nas margens do meu rio e de noite eles iriam dormir na árvore do meu irmão.
Me irmão me provocava assim: a minha árvore deu flores lindas em setembro.
E seu rio não dá flores!
Eu respondia que a árvore dele não dava piraputanga.
Era verdade, mas o que nos unia demais eram os banhos nus no rio entre pássaros.
Nesse ponto nossa vida era um afago!
Texto: Manoel de Barros.
Dedicado para minha querida amiga dos contos Carol de Kácia...
NUMA CASA MUITO ESTRANHA...

Numa casa muito estranha
Toda feita de chocolate
Vivia uma bruxa castanha
que adorava o disparate.
Punha os copos no fogão
as panelas na banheira
os sapatos nas gavetas
as meias na frigideira;
escrevia com fios de água
dormia em pé
cozinhava numa cama
e comia no bidé.
Varria a casa com garfos
limpava o pó com farinha
deitava cem gatos na sala
e dormia na cozinha.
Texto de António Mota
Ilustração de Elsa Navarro
Toda feita de chocolate
Vivia uma bruxa castanha
que adorava o disparate.
Punha os copos no fogão
as panelas na banheira
os sapatos nas gavetas
as meias na frigideira;
escrevia com fios de água
dormia em pé
cozinhava numa cama
e comia no bidé.
Varria a casa com garfos
limpava o pó com farinha
deitava cem gatos na sala
e dormia na cozinha.
Texto de António Mota
Ilustração de Elsa Navarro
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