FEIRA DO LIVRO E DA LEITURA- O SABOR DOS LIVROS...

A edição de 2009 da “Feira do Livro e da Leitura – O Sabor dos Livros” arranca a 25 de Junho e prolonga-se até dia 28, junto ao Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça. Quatro dias de sabedoria e de histórias.

Uma apresentação arrojada que vai para além das portas da Biblioteca Municipal, e oferece à cidade um panorama de cores, folhas e letras que conjugados se transformam num mundo imaginário de literatura.

25-06- UM CHÁ DE HISTÓRIAS. 15H30
HISTÓRIAS DOCES 17H

26-06- UM CHÁ DE HISTÓRIAS. 10H30

Informações: http://feiradolivroalcobaca.terradepaixao.net/

A MENINA E O PÁSSARO ENCANTADO

Era uma vez uma menina que tinha um pássaro como seu melhor amigo.
Ele era um pássaro diferente de todos os demais: era encantado.
Os pássaros comuns, se a porta da gaiola ficar aberta, vão-se embora para nunca mais voltar. Mas o pássaro da menina voava livre e vinha quando sentia saudades… As suas penas também eram diferentes. Mudavam de cor. Eram sempre pintadas pelas cores dos lugares estranhos e longínquos por onde voava. Certa vez voltou totalmente branco, cauda enorme de plumas fofas como o algodão…

— Menina, eu venho das montanhas frias e cobertas de neve, tudo maravilhosamente branco e puro, brilhando sob a luz da lua, nada se ouvindo a não ser o barulho do vento que faz estalar o gelo que cobre os galhos das árvores. Trouxe, nas minhas penas, um pouco do encanto que vi, como presente para ti…

E, assim, ele começava a cantar as canções e as histórias daquele mundo que a menina nunca vira. Até que ela adormecia, e sonhava que voava nas asas do pássaro.
Outra vez voltou vermelho como o fogo, penacho dourado na cabeça.

— Venho de uma terra queimada pela seca, terra quente e sem água, onde os grandes, os pequenos e os bichos sofrem a tristeza do sol que não se apaga. As minhas penas ficaram como aquele sol, e eu trago as canções tristes daqueles que gostariam de ouvir o barulho das cachoeiras e ver a beleza dos campos verdes.

E de novo começavam as histórias. A menina amava aquele pássaro e podia ouvi-lo sem parar, dia após dia. E o pássaro amava a menina, e por isto voltava sempre.
Mas chegava a hora da tristeza.
— Tenho de ir — dizia.
— Por favor, não vás. Fico tão triste. Terei saudades. E vou chorar…— E a menina fazia beicinho…

— Eu também terei saudades — dizia o pássaro. — Eu também vou chorar. Mas vou contar-te um segredo: as plantas precisam da água, nós precisamos do ar, os peixes precisam dos rios… E o meu encanto precisa da saudade. É aquela tristeza, na espera do regresso, que faz com que as minhas penas fiquem bonitas. Se eu não for, não haverá saudade. Eu deixarei de ser um pássaro encantado. E tu deixarás de me amar.

Assim, ele partiu. A menina, sozinha, chorava à noite de tristeza, imaginando se o pássaro voltaria. E foi numa dessas noites que ela teve uma ideia malvada: “Se eu o prender numa gaiola, ele nunca mais partirá. Será meu para sempre. Não mais terei saudades. E ficarei feliz…”
Com estes pensamentos, comprou uma linda gaiola, de prata, própria para um pássaro que se ama muito. E ficou à espera. Ele chegou finalmente, maravilhoso nas suas novas cores, com histórias diferentes para contar. Cansado da viagem, adormeceu. Foi então que a menina, cuidadosamente, para que ele não acordasse, o prendeu na gaiola, para que ele nunca mais a abandonasse. E adormeceu feliz.

Acordou de madrugada, com um gemido do pássaro…
— Ah! menina… O que é que fizeste? Quebrou-se o encanto. As minhas penas ficarão feias e eu esquecer-me-ei das histórias… Sem a saudade, o amor ir-se-á embora…
A menina não acreditou. Pensou que ele acabaria por se acostumar. Mas não foi isto que aconteceu. O tempo ia passando, e o pássaro ficando diferente. Caíram as plumas e o penacho. Os vermelhos, os verdes e os azuis das penas transformaram-se num cinzento triste. E veio o silêncio: deixou de cantar.

Também a menina se entristeceu. Não, aquele não era o pássaro que ela amava. E de noite ela chorava, pensando naquilo que havia feito ao seu amigo…
Até que não aguentou mais.
Abriu a porta da gaiola.
— Podes ir, pássaro. Volta quando quiseres…

— Obrigado, menina. Tenho de partir. E preciso de partir para que a saudade chegue e eu tenha vontade de voltar. Longe, na saudade, muitas coisas boas começam a crescer dentro de nós. Sempre que ficares com saudade, eu ficarei mais bonito. Sempre que eu ficar com saudade, tu ficarás mais bonita. E enfeitar-te-ás, para me esperar…

E partiu. Voou que voou, para lugares distantes. A menina contava os dias, e a cada dia que passava a saudade crescia.

— Que bom — pensava ela — o meu pássaro está a ficar encantado de novo…
E ela ia ao guarda-roupa, escolher os vestidos, e penteava os cabelos e colocava uma flor na jarra.
— Nunca se sabe. Pode ser que ele volte hoje…

Sem que ela se apercebesse, o mundo inteiro foi ficando encantado, como o pássaro. Porque ele deveria estar a voar de qualquer lado e de qualquer lado haveria de voltar. Ah!
Mundo maravilhoso, que guarda em algum lugar secreto o pássaro encantado que se ama…
E foi assim que ela, cada noite, ia para a cama, triste de saudade, mas feliz com o pensamento: “Quem sabe se ele voltará amanhã….”
E assim dormia e sonhava com a alegria do reencontro.

As mais belas histórias de Rubem Alves
Lisboa, Edições Asa, 2003

MEU CHAI...



Chai é como o chá é chamado em muitas partes da Ásia, de onde a planta se origina...

Depois de muito pedirem deixo aqui uma versão Indiana do Chai que é doce e leitosa, e tornou-se cada vez mais popular no mundo inteiro.

Espero que desfrutem do Chai enquanto ganhamos tempo com uma boa conversa entre amigos ou uma boa leitura...

Ingredientes:

2 xícaras de água
2 colheres de chá (ou 2 saquinhos) de chá preto
1 pequeno bastão de canela, mais ou menos de 5cm de comprimento
1 vagem de cardamomo levemente esmagada
1 cravo-da-índia pequeno inteiro
1 fatia de gengibre, do tamanho de uma moeda, sem casca
2 xícaras de leite de vaca, de soja, ou de arroz -mel a gosto

Como fazer:

1) Ponha todos os ingredientes, exceto o mel, numa panela e leve-os lentamente à fervura. Mexa a mistura por cerca de três minutos, ou até chegar à concentração desejada e os condimentos exalarem seus aromas.

2) Despeje nas xícaras coando e acrescente mel para adoçar. O chai é melhor quando fica bem forte e bem doce. algumas pessoas gostam de acrescentar o leite depois que o chá foi coado e adoçado.

Rende 4 xícaras.

Bom chai...

O VERDADEIRO VALOR DO ANEL.


Era uma vez um rapaz que procurou um sábio em busca de ajuda.

— Venho até cá, mestre,
porque me sinto tão tacanho que não tenho vontade de fazer nada. Dizem-me que não presto, que não faço nada bem, que sou lento e estúpido. Como posso melhorar? Que posso fazer para que as pessoas me valorizem mais?

O mestre, sem olhar para ele, disse:

— Lamento muito, rapaz, mas não posso ajudar-te. Primeiro, tenho de resolver o meu próprio problema. Talvez depois... — E, fazendo uma pausa, acrescentou: — Se tu me quiseres ajudar, eu poderia resolver este assunto mais depressa e talvez depois te possa ajudar.

Com todo o prazer, mestre — gaguejou o rapaz, sentindo novamente que estava a ser desvalorizado e que as suas necessidades eram adiadas.

Bom — continuou o mestre, tirando um anel que trazia no dedo mindinho da mão esquerda. Dando-o ao rapaz, acrescentou:

— Pega no cavalo que está lá fora e vai ao mercado. Tenho de vender este anel porque preciso de pagar uma dívida. Tens de obter por ele a maior quantia possível e não aceites menos do que uma moeda de ouro. Vai e volta com a moeda o mais depressa que puderes.

O jovem pegou no anel e partiu. Assim que chegou ao mercado, começou a oferecer o anel aos comerciantes, que o fitavam com interesse até o jovem dizer quanto queria por ele.

Sempre que o rapaz mencionava a moeda de ouro, alguns riam-se, outros viravam-lhe a cara e só um velhinho foi suficientemente amável e se deu ao trabalho de lhe explicar que uma moeda de ouro era demasiado valiosa para ser trocada por um mero anel. Alguém, desejoso de ajudar, ofereceu-lhe uma moeda de prata e um recipiente de cobre, mas o jovem tinha ordens para não aceitar menos do que uma moeda de ouro e, como tal, rejeitou a oferta.

Depois de oferecer a jóia a todas as pessoas que se cruzaram com ele no mercado, que foram mais de cem, e abatido pelo seu fracasso, o rapaz montou no cavalo e regressou para junto do sábio.

Ele ansiava por uma moeda de ouro para entregar ao mestre e libertá-lo da sua preocupação, de modo a poder receber finalmente o seu conselho e ajuda.

Entrou no quarto do sábio.

— Mestre — disse — lamento muito. Não é possível fazer o que me pedes. Talvez tivesse conseguido arranjar-te duas ou três moedas de prata, mas não creio conseguir enganar as pessoas quanto ao verdadeiro valor do anel.

O que disseste é muito importante, meu jovem amigo respondeu o mestre, sorridente. — Primeiro, temos de conhecer o verdadeiro valor do anel. Torna a montar no teu cavalo e vai ao ourives. Quem melhor do que ele para nos dizer o valor? Diz-lhe que gostavas de vender a jóia e pergunta-lhe quanto te dá por ela. Mas não importa o que ele te ofereça: não lho vendas. Volta com o meu anel.

O jovem tornou a cavalgar.

O ourives inspeccionou o anel à luz da candeia, observou-o à lupa, pesou-o e respondeu ao rapaz:

— Diz ao mestre, rapaz, que, se o quiser vender agora mesmo, não lhe posso dar mais do que cinquenta e oito moedas de ouro pelo seu anel.

— Cinquenta e oito moedas?! — exclamou o jovem.

Sim — replicou o ourives. — Eu sei que, com tempo, poderíamos obter por ele cerca de setenta moedas, mas se a venda é urgente...

O jovem correu, emocionado, para casa do mestre, ansioso por lhe contar a novidade.

Senta-te — disse o mestre depois de o ouvir. — Tu és como esse anel: uma jóia valiosa e única. E, como tal, só podes ser avaliado por um verdadeiro perito. Porque é que vives à espera que qualquer pessoa descubra o teu verdadeiro valor?

E, dito isto, tornou a pôr o anel no dedo mindinho da sua mão esquerda.

Jorge Bucay
Deixa-me que te conte
Ed. Pergaminho, 2004

CARTAZ - UM CHÁ DE HISTÓRIAS

Compartilhando histórias como quem oferece uma chávena de chá a um amigo, o contador guiará o público por uma viagem fantástica a diversos cantos do planeta.
Terras longínquas culturas exóticas e regiões remotas, ligadas eternamente pela singular tradição de tomar chá.

Se um mero encontro para beber chá pode transportar até Deus, é bom ficarmos atentos às outras dezenas de oportunidades que um simples dia nos oferece...

Espaço Animateatro
10/05 -16h
17/05-16h

COMO CHEGAR...


Espaço Animateatro
Praceta José Maria Vieira Loja 4A
2845-478 Amora (perto das piscinas municipais de Amora)
Telef.-212254184 Fax: 212254172 www.animateatro.org
http://animateatro.blogspot.com

Medo, Miedo, Peur, Timore, Furcht...

Medo esse sentimento que proporciona um estado de alerta demonstrado pelo receio de fazer alguma coisa, geralmente por se sentir ameaçado, tanto fisicamente como psicologicamente. Que tem como ênfase pavor e na sua escala menor apenas uma ansiedade.
Qual é o espaço que o medo ocupa em nossa Vida? Qual?

Tenho medo de gente e de solidão
Tenho medo da vida e medo de morrer
Tenho medo de ficar e medo de escapulir
Medo que dá medo do medo que dá


Tenho medo de acender e medo de apagar
Tenho medo de esperar e medo de partir
Tenho medo de correr e medo de cair
Medo que dá medo do medo que dá

O medo é uma linha que separa o mundo
O medo é uma casa aonde ninguém vai
O medo é como um laço que se aperta em nós
O medo é uma força que não me deixa andar

Tenho medo de parar e medo de avançar
Tenho medo de amarrar e medo de quebrar
Tenho medo de exigir e medo de deixar
Medo que dá medo do medo que dá


O medo é uma sombra que o temor não desvia
O medo é uma armadilha que pegou o amor
O medo é uma chave, que apagou a vida
O medo é uma brecha que fez crescer a dor

Medo de olhar no fundo
Medo de dobrar a esquina
Medo de ficar no escuro

De passar em branco, de cruzar a linha
Medo de se achar sozinho
De perder a rédea, a pose e o prumo
Medo de pedir arrego, medo de vagar sem rumo
Medo estampado na cara ou escondido no porão

O medo circulando nas veias
Ou em rota de colisão
O medo é do Deus ou do demo
É ordem ou é confusão
O medo é medonho, o medo domina
O medo é a medida da indecisão

Medo de fechar a cara
Medo de encarar
Medo de calar a boca
Medo de escutar

Medo de passar a perna

Medo de cair
Medo de fazer de conta
Medo de dormir
Medo de se arrepender
Medo de deixar por fazer
Medo de se amargurar pelo que não se fez
Medo de perder a vez

Medo de fugir da raia na hora H

Medo de morrer na praia depois de beber o mar
Medo... que dá medo do medo que dá
Medo... que dá medo do medo que dá

Composição: Pedro Guerra/ Lenine/ Robney Assis.

PÁSCOA...

Ovos, coelhos, supermercado, família, férias, almoço, procura, dor de barriga,amigos, jogos, sacrifício, primavera, celebração, ressurreição, bolos, passagem, viagem. Enfim, por muitos caminhos chegamos a páscoa e temos muitas histórias, lendas, crenças e formas de festejá-la.

Lembro que quando era menor, e isso faz tempo... Pois minha querida irmã nem era nascido. Meus pais passavam a páscoa na fazenda, casa de meus avós maternos, onde já estavam os primos e tios à espera de ver as crianças enfeitar os pratos com capins e flores, onde seria o ninho para colocar ovos coloridos cheios de amendoins e cartuchos com amêndoas, tudo feito por minha família e aprovação da minha avó. Ficavamos loucos a procura dos ovinhos escondidos, por vezes até ganhavamos dinheiro (pouco dinheiro heheh) dos padrinhos.

Tudo ia para os pratos enfeitados e no dia da celebração juntos rezavamos e ouvíamos os mais velhos buscando mostrar o porque que tínhamos em crer em Deus e contavam histórias da bíblia ou nem tanto. Sempre tinha os que destruíam tudo que era dito com uma anedota...

Lembro dos coelhos que meu tio soltava no quintal e corriamos atrás... "Os coelhos são muito mais rápidos!"

Hoje pensando sobre o assunto, vejo que cada coisa tem o seu lugar e dá dó dos coelhos que corriam assustados.
Mas a verdade é que todo esse simbolismo alimentou meu imaginário e fazendo com que a família estivesse junta compartilhando vida.

Lá em casa é assim, mesmo estando longe e sem meus queridos avós, sei que uma parte da família estará junta e as crianças com seus pratos decorados com capins e flores.

Boa Páscoa!!!
Carlos Moreira

PRENDA...

Mais uma prenda, esta foi feita pelos meninos do jardim de infância da Akademia, onde conheceram o Dr. Kiko Satisfação e ficaram a saber mais sobre o trabalho dos doutores palhaços nos hospitais.
Agradeço o carinho em nome de todos os Doutores palhaços e deixo escrito aqui as frases dos meninos.

_ Os Doutores são divertidos.

_ Eles são pessoas muito especiais.

_ Os hospitais ficam mais lindos com os Doutores Palhaços.

_ Eu gosto muito dos Doutores Palhaços porque eles fazem muitas palhaçadas.

_ Os Doutores Palhaços fazem bem aos meninos.

_ Os Doutores Palhaços são lindos!

Um grande Abraço de Palhaço - Carlos Moreira

Dia do Teatro.

Manifesto-Ação

Ser artista é uma possibilidade que todo ser humano tem, independente de ofício, carreira ou arte. É uma possibilidade de desenvolvimento pleno, de plena expressão, de direito à felicidade.

A possibilidade de ir ao encontro de si mesmo, de sua expressão, de sua felicidade, plenitude, liberdade, fertilidade é de todo e qualquer ser humano. Isso não é um privilégio do artista, é um direito do ser humano — de se livrar de seus papéis, de exercer suas potencialidades e de se sentir vivo.

Todo mundo pode viver sua expressão sem estar preso a um papel. Não se trata de ser artista ou não, mas de uma perspectiva do ser humano e do mundo. Não se trata só de todos os artistas serem operários, mas também de todos os operários serem artistas. Das pessoas terem relações criativas, férteis e de transformação com o mundo, a realidade, a natureza, a sociedade.

O homem não está condenado a ser só destruidor, consumista, egoísta como a sociedade nos leva a crer.

Instituto Tá na Rua